O bilhete

Nem acredito que sou aquela garota que escreveu "A bagagem está pronta, só falta comprar o bilhete", e isso em dezembro de 2022. A menina que queria conhecer o mundo, mas que precisou permanecer no mesmo lugar para poder se encontrar. Claro que sempre viajei, mas muito pelo Pará e Amazonas. E só em 2022 que fui além do meu Norte. Ao revisitar uma crônica antiga impregnada de anseio, me surpreendi ao lembrar que já tenho os bilhetes guardados como souvenirs. Pois quem nunca aprendeu a partir, quis conhecer o mundo e colecionar memórias que alimentam a alma. Há um ano, cheia de medo, com a pergunta dita pela minha irmã na cabeça, "se não for agora, quando?", atravessei o oceano. Mas levei um tombo em Lisboa que me lede volta para casa, onde precisei de cirurgia. Muitas línguas repetiram que foi livramento. Acredito. Até porque sei que nada é por acaso. Após doze meses de reabilitação e tratamento das sequelas, escrevo de onde nunca imaginei estar, num treinamento...