O caminho. No meus 20 anos, pensava que se podia traçar a vida toda numa agenda. Já estava tudo certo, me formaria em jornalismo e depois partiria pra Belém. Trabalharia na mídia da associação Adventista no Pará, em seguida iria para a TV Novo Tempo, em São Paulo. O namorado daquela época já estava avisado. A formatura chegou, menos a viagem. Os currículos começaram a se multiplicar assim como os NÃOs por alguns motivos; imaturidade, não era flexível com o sábado, assédio, jovem demais, não tem indicação... Não viajei. Não me mudei. Até ontem me perguntava o porquê de não ter ido. Precisava de muito dinheiro? Não podia deixar a família? Não tinha lugar pra ficar? A verdade, é que já estava adoecida algum tempo e tudo foi piorando depois do término da faculdade. O corpo, a mente, a autoestima, a relação com o namorado, o casamento da mãe, o espiritual, o anseio pelo amor do pai, a ausência de acolhimento e pertencimento estavam acumulados. No lugar do sonho, fez morada o medo...
Nem acredito que sou aquela garota que escreveu "A bagagem está pronta, só falta comprar o bilhete", e isso em dezembro de 2022. A menina que queria conhecer o mundo, mas que precisou permanecer no mesmo lugar para poder se encontrar. Claro que sempre viajei, mas muito pelo Pará e Amazonas. E só em 2022 que fui além do meu Norte. Ao revisitar uma crônica antiga impregnada de anseio, me surpreendi ao lembrar que já tenho os bilhetes guardados como souvenirs. Pois quem nunca aprendeu a partir, quis visitar vários países e colecionar memórias que alimentam a alma. Há um ano, cheia de medo, com a pergunta dita pela minha irmã na cabeça, "se não for agora, quando?", atravessei o oceano. Mas levei um tombo em Lisboa que me lede volta para casa, onde precisei de cirurgia. Muitas línguas repetiram que foi livramento. Acredito. Até porque sei que nada é por acaso. Após doze meses de reabilitação e tratamento das sequelas, escrevo de onde nunca imaginei estar, num treina...
Hoje, acordei às 5h. Fiz meu devocional e fui me exercitar. A minha vizinha que sempre vai comigo, não acordou. É feriado por aqui e só vi um moço caminhando onde sempre me exercito, ao redor do estádio de futebol. Mas consegui dar só uma volta, porque começou a chover. E as poucas pessoas que chegaram depois foram embora e eu decidir ir também. No caminho fui parando pra me proteger da chuva. Até que criei coragem pra me molhar. Quando cheguei na frente de casa, o coletor de lixo deixou amontoado os lixos dos outros vizinhos. Algum bicho revirou tudo e tive que juntá-los. Estava cheio de fraldas descartáveis de criança. Toda vez peço para os coletores não amontoarem, mas sempre muda o gari. Enfim. Agora, estou fazendo já algumas tarefas e decidi ver se tinha alguma mensagem da minha vizinha dorminhoca. E a chuva está bem forte. Ainda bem que ouvi minha intuição e vim logo pra casa, pensei. A chuva estava boa pra tomar banho lá na rua que nem criança, sabe?! São quase 8h da manhã ...
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