Hoje, acordei às 5h. Fiz meu devocional e fui me exercitar. A minha vizinha que sempre vai comigo, não acordou. É feriado por aqui e só vi um moço caminhando onde sempre me exercito, ao redor do estádio de futebol. Mas consegui dar só uma volta, porque começou a chover. E as poucas pessoas que chegaram depois foram embora e eu decidir ir também. No caminho fui parando pra me proteger da chuva. Até que criei coragem pra me molhar. Quando cheguei na frente de casa, o coletor de lixo deixou amontoado os lixos dos outros vizinhos. Algum bicho revirou tudo e tive que juntá-los. Estava cheio de fraldas descartáveis de criança. Toda vez peço para os coletores não amontoarem, mas sempre muda o gari. Enfim. Agora, estou fazendo já algumas tarefas e decidi ver se tinha alguma mensagem da minha vizinha dorminhoca. E a chuva está bem forte. Ainda bem que ouvi minha intuição e vim logo pra casa, pensei. A chuva estava boa pra tomar banho lá na rua que nem criança, sabe?! São quase 8h da manhã ...
O caminho. No meus 20 anos, pensava que se podia traçar a vida toda numa agenda. Já estava tudo certo, me formaria em jornalismo e depois partiria pra Belém. Trabalharia na mídia da associação Adventista no Pará, em seguida iria para a TV Novo Tempo, em São Paulo. O namorado daquela época já estava avisado. A formatura chegou, menos a viagem. Os currículos começaram a se multiplicar assim como os NÃOs por alguns motivos; imaturidade, não era flexível com o sábado, assédio, jovem demais, não tem indicação... Não viajei. Não me mudei. Até ontem me perguntava o porquê de não ter ido. Precisava de muito dinheiro? Não podia deixar a família? Não tinha lugar pra ficar? A verdade, é que já estava adoecida algum tempo e tudo foi piorando depois do término da faculdade. O corpo, a mente, a autoestima, a relação com o namorado, o casamento da mãe, o espiritual, o anseio pelo amor do pai, a ausência de acolhimento e pertencimento estavam acumulados. No lugar do sonho, fez morada o medo...
Já tínhamos nos conhecido no quarto do hostel, quando a acordei narrando minha aventura com os mineiros em Presidente Figueiredo. Meu entusiasmo era da altura da minha voz, levei um tempo para perceber que alguém tentava dormir no caloroso fim de tarde de Manaus. Foi quando ela se levantou que fiquei constrangida pela minha má educação. Em outro momento, já no banheiro compartilhado, foi que nos apresentamos. Ela se chamava Karen Harumi, formada em turismo, com trinta e uns como eu (parecia menos), vinda de São Paulo, e filha de japonês. Para compensar pela minha tagarelice no quarto que a acordou e fazer amizade, a convidei para ir ao teatro. “Ela é uma figura”, foi o que pensei. Apenas constatei quando chegamos alguns minutinhos mais tarde para poder entrar no Teatro Amazonas, e perdemos a apresentação da orquestra. Fiquei tranquila quanto a isso, porque não era a primeira vez que me atrasava para isto. Na outra semana consegui assistir ao espetáculo. Como já estávamos em...
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