Eu já faço parte daqui
Pelas ruas poeirentas de Antula, alguém grita meu nome: “ELLE! Kuma ku bu sta?!”. A frase já não me causa mais estranhamento pela falta de um “oi” antes. O que sinto agora é outra coisa, uma normalidade que ganhei com o tempo, e da qual gosto. Do outro lado da rua respondo alto com algumas das saudações que aprendi, de acordo com o momento do dia, para fazer uma boa mantenha e receber o afago de quem me aceita em sua comunidade. É nesses instantes simples que sinto: eu pertenço. Já faz seis meses que pertenço a Bissau ou talvez seja Bissau que já pertença um pouco a mim. Aqui não sou tratada apenas como “mais uma estrangeira”, como aconteceu quando estive na Europa. Claro, são contextos diferentes. Mas não foi o documento de residente que me fez sentir assim. Foi o acolhimento deles. Foi caminhar entre os nativos como se eu fosse uma guineense da etnia Bijagó que saiu da sua ilha para viver na capital. Minhas vivências já não são como as de uma turista que viaja pelo consumo de experiê...