Personagem Lucy Bruno Se você chegou até este blog, já percebeu que sou amante das artes. Entre tantas que aprecio, temos as Histórias em Quadrinhos 💓 Portanto, vou lhe apresentar a HQ Lucy. Esta HQ foi escrita por mim, infelizmente o meu talento para os desenhos não vingou 😐 O enredo é simples e baseado nas histórias de infância da minha saudosa mãe. Lucy foi publicada na 3ª edição da revista independente Mixtureba Comix do Coletivo AP Quadrinhos. A ideia era torná-la um cartoon, mas problemas técnicos no processo de produção afetaram o resultado. Enfim!
Nem acredito que sou aquela garota que escreveu "A bagagem está pronta, só falta comprar o bilhete", e isso em dezembro de 2022. A menina que queria conhecer o mundo, mas que precisou permanecer no mesmo lugar para poder se encontrar. Claro que sempre viajei, mas muito pelo Pará e Amazonas. E só em 2022 que fui além do meu Norte. Ao revisitar uma crônica antiga impregnada de anseio, me surpreendi ao lembrar que já tenho os bilhetes guardados como souvenirs. Pois quem nunca aprendeu a partir, quis visitar vários países e colecionar memórias que alimentam a alma. Há um ano, cheia de medo, com a pergunta dita pela minha irmã na cabeça, "se não for agora, quando?", atravessei o oceano. Mas levei um tombo em Lisboa que me trouxe de volta para casa, onde precisei de cirurgia. Muitas línguas repetiram que foi livramento. Acredito. Até porque sei que nada é por acaso. Após doze meses de reabilitação e tratamento das sequelas, escrevo de onde nunca imaginei estar, num t...
Pelas ruas poeirentas de Antula, alguém grita meu nome: “ELLE! Kuma ku bu sta?!”. A frase já não me causa mais estranhamento pela falta de um “oi” antes. O que sinto agora é outra coisa, uma normalidade que ganhei com o tempo, e da qual gosto. Do outro lado da rua respondo alto com algumas das saudações que aprendi, de acordo com o momento do dia, para fazer uma boa mantenha e receber o afago de quem me aceita em sua comunidade. É nesses instantes simples que sinto: eu pertenço. Já faz seis meses que pertenço a Bissau ou talvez seja Bissau que já pertença um pouco a mim. Aqui não sou tratada apenas como “mais uma estrangeira”, como aconteceu quando estive na Europa. Claro, são contextos diferentes. Mas não foi o documento de residente que me fez sentir assim. Foi o acolhimento deles. Foi caminhar entre os nativos como se eu fosse uma guineense da etnia Bijagó que saiu da sua ilha para viver na capital. Minhas vivências já não são como as de uma turista que viaja pelo consumo de experiê...
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