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A INCERTEZA HISTÓRICA

Quem teria pensado, na primavera de 1914, que um atentado cometido em Sarajevo desencadearia a guerra mundial que duraria quatro anos e que faria milhões de vítimas? Quem teria pensado, em 1916, que o exército russo se desagregaria e que um pequeno partido marxista, marginal, provocaria, contrariamente à própria doutrina, a revolução comunista em outubro de 1917? Quem teria pensado, em 1918, que o tratado de paz assinado trazia em si os germes da Segunda Guerra Mundial, que arrebentaria em 1939? Quem teria pensado, na prosperidade de 1927, que uma catástrofe econômica, iniciada em 1929, em Wall Street, se abateria sobre o planeta? Quem teria pensado, em 1930, que Hitler chegaria legalmente ao poder em 1933? Quem teria pensado, em 1940-41, afora alguns irrealistas, que o formidável domínio nazista sobre a Europa, após os impressionantes progressos da Wehrmacht na URSS até as portas de Leningrado e Moscou, seria acompanhado em 1942 pela reviravolta total da situação? Quem teria pensado...

Where I live

Eu moro num lugar onde não tem flores, eu moro num lugar onde não cai flocos,  só se for de cinzas, o tempo se divide em duas frações. A da chuva com vapor,  a do sol com combustão,  é quente como um forno,  mas não é como o sertão.  Se você quer conhecer este lugar,  você será recompensado,  no monumento, dividido em dois lados. Super cool , é a linha do Equador. Talvez você não conheça, a cidade da insolação,  mas se compensa com o Amazonas,  que é uma benção. Andando no asfalto, não tem índio nem jacaré,  a onça pintada ninguém jamais viu,  pois a coleta de minério já a extinguiu.  Não é uma ilha,  mas existe confusão,  longe do progresso, íntima da corrupção.  Ponto do Equinócio,  onde rio e mar,  podem se encontrar,  uma ebulição. 

Abril Despedaçado

--> SALLES, Valter. Abril Despedaçado. Brasil/Suíça/França: 2001. Abril de 1910. No sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue agita com o vento. O filho do meio da família Breves, Tonho, é incitado pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta antiga entre famílias pela posse da terra. Se Tonho cumprir sua missão, sabe que será então perseguido por um membro da família rival, como designa o código de vingança da região. Preocupado pela possibilidade da morte é impelido pelo seu irmão menor, Pacu, e, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. Num momento tão atribulado para Tonho que tem que cumprir sua missão e, continuar auxiliando na produção de rapadura. Surgem dois artistas de um pequeno circo itinerante que cruzam o caminho dele e de Pacu – contribuindo ainda mais para que o rapaz aumente seu anseio de quebrar a lúgubre tradição das duas famílias. Após conhecer a jovem mulher que engole fogo e é trapezista, Clara; de...

II Epístola à Emília

Macapá, 25 de outubro de 2008. Oi Emília , Sábado, 8h. Acordei no horário de ir para a igreja nesta manhã, em casa todos já estavam arrumados, a última a sair foi minha irmã. Na verdade, sempre sou eu que saio por última de casa, mas quando levantei já era 8h30, então orei e depois me enrolei na toalha. Sempre que acordo pela manhã, bebo de 1 a 2 copos com água natural, sendo assim, bebi. Toda pessoa tem manias, cacoetes e hábitos - uma das manias que tenho é olhar debaixo da cama - pra ver se tem alguma coisa. Beber água ao acordar é um hábito. Quando fui executar este costume matinal, para minha surpresa, o gato de casa tinha tomado o mingau que mamãe havia posto sobre a mesa para eu tomar. Deixei o prato no mesmo lugar, resultado: fiquei sem café da manhã! Como de costume, aos sábados, Wenndel sempre vem me buscar para irmos à igreja juntos. Nesse dia íamos para a igreja do Embrapa. No relógio já era 9h, e nada dele chegar, acabei vestindo minha roupa. Senti vontade de ...

Epístola à Emília

Macapá, 23 de outubro de 2008. Estimada Emília, O começo. Sempre é mais difícil iniciar algo, não importa o que seja. Escrever uma carta também, mas isso depende para quem é destinada. No inicio podem até faltar palavras, porém, quando as palavras surgem - fluem como um manancial. Hoje, senti vontade de escrever para você, mas não tenho tema certo, queria falar sobre muitas coisas; sobre vida pessoal, meu pai - sobre ele daria para escrever um livro - no entanto, quero descrever a bonita tarde que veio nos deleitar. Enquanto escrevo esta carta, minha mãe - que adora conversar - fala comigo sobre a indecisão e receio que o César e a Eva tem na escolha dos seus candidatos para este 2º turno. Quem são eles? Pode ser a sua pergunta, só posso dizer resumidamente que são nossos amigos Adventistas do Sétimo Dia de longa data. Na conversa, estou a escrever a carta, mas mamãe continua a falar e eu, como uma boa ouvinte que sou me divido entre dá atenção à minha mãe e à carta. Ela t...

A viagem

Depois de dois anos, estou voltando à minha terra natal: Belém do Pará. Ansiedade, alívio, tristeza e saudades - são os sentimentos que perpassam meu coração. Nestas férias, irei resolver um problema referente a documentos - verei primos e amigos - eram os objetivos ao fazer a viagem mais monótona da minha vida. O Almirante corta as escuras águas da Amazônia. A paisagem é pintada pela densa vegetação e céu azulado com nódoas brancas - parecia algodão pregado na parede tingida de anil. Ao meu lado dormem o simpático casal britânico; que há 11 meses viaja por toda a América Latina, próximo das redes deles estão alguns peruanos que moram na Guiana Francesa. Durante a tarde, fiquei ouvindo a conversa do grupo, um dos peruanos se esforçava para fazer amizade com Katie e Peter, falava sobre o Brasil - que me causou grande aborrecimento - pois, reduziu o Brasil em carnaval e cachaça. Um garotinho de quatro anos equatoriano se apresentou como “tchatcho” e me acompanhou durante tod...

Conversa de peruano

Quando os vi, pensei que haviam clonado o Maradona. Os quatro peruanos que há anos moram na Guiana Francesa, estavam viajando de volta para o Peru - passar as férias, talvez. O mais jovem, parecia cheio de incertezas, com jeito de quem canta em bares nas noites. Tinha um que parecia ter saído dos anos 80 - deveria ser o corte de cabelo. O mais alto, fazia o estilo "Rambo" com pinta de Dom Ruan. E o último, parecia ter mais dinheiro que os outros e o pedantismo estampado no rosto. O que me incomodou nele (o último), não foi a "cara de velhaco" olhando pra mim - mas a falta de prudência. É pungente o sentimento de alguém com o orgulho ferido, e este alguém; sou eu. Vou lhe contar a razão. Este peruano, iniciou uma conversa com o casal de ingleses (que há 11 meses viajavam pela América Latina). Soltava algumas piadas que muito divertiam a sorridente inglesa - que falava espanhol melhor que seu parceiro. Entre tanta conversa, começaram a falar sobre o Brasil, o peru...